Arquivo do mês: novembro 2010

A flor que brotou em uma pedra

Dei-me flores. Eu quero muitas flores, pode ser das mais variadas. Quero Tulipas, Margaridas….quero a flor do Cactu! Sim, eu a adoro. Como uma flor pode vir dessa planta que passa tanto tempo sem água? Um símbolo de resistência. Bem, a Natureza é perfeita, sem dúvidas. Ultimamente eu provei dessa resistência com muito êxito. Eu pensaria que não ia aguentar, no entanto eu me enganara o tempo todo, foram águas passadas que não mais vão mover moinhos. Ontem o que passou foi tão desdenhoso, hoje veneração impulsiva. Não quero mais portar aquela minha cara pálida. Depois de passar alguns dias na ironia de amar e de ter posto uma face latente, me deixei pousar sobre o amor. De certa forma me trai ao regredir a minha emoção de te ter, pois eu ainda estava sem proteção, escondendo-me em uma cara de vilã. Eu cansei, estou deixando a vida mostrar-me a carta que ela tem na manga, soltar esse blefe.  A sensação de perda perdeu-se em mim. Que venha Felicidade.

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Tenho saudades do tempo…

Em que as pessoas tiravam fotos com a família para relembrar suas alegrias em um álbum de fotografias, e não para colocá-las no Orkut, Facebook ou em qualquer outra rede social.
Em que muitas pessoas aceitavam as outras em uma rede social para trocar idéias e emoções, não para aumentar o seu círculo de amigos.
Em que um dia, quando criança, eu sentia a chuva chegar e corria para as calçadas da vizinhança chamar amigos e amigas para aproveitar mais um dia aquela tempestade emoções e brincadeiras sadias.
Em que pulava nas costas de meu pai e ele deitava comigo até que eu adormecesse por cima daqueles lençóis bagunçados.
Quando eu sonhava um pesadelo e depois ia ao encontro da cama de meus pais e perguntava se poderia dormir com eles, de preferência entre os dois. O lugar preferido na época quando me sentia sozinha.
Em que os homens presenteavam as mulheres com flores. Mas hoje muitos deles pedem em troca disso, indiretamente, umas carícias a mais.
Quando as crianças esperavam ansiosamente o sinal do colégio tocar para que elas pudessem sair em disparada ao encontro de sua casa para assistir um bom desenho animado.
Saudades de quando algumas pessoas gostavam dos artistas por conta própria, mas não por modismo ou por status.
Em que algumas pessoas pensavam que o sexo deveria ser misturado com lágrimas, risos, palavras, ciúmes, inveja, todos os condimentos do medo, da viagem ao estrangeiro, novos rostos, romances, histórias, sonhos, fantasias, música, dança, vinho etc. Ao contrário de hoje, mecânico, exagerado até mesmo explícito.
As mulheres emagreciam por uma causa biológica, natural e não pela busca exagerada e cansativa da beleza padrão. De quando os alunos de Educação Física entendiam que malhar prevenia muitos males do sedentarismo e não pelo fato de aumentar consideravelmente o corpo como fonte de chamar a  atenção e a notoriedade por outras pessoas.

Sim. Eu sinto falto disso….Você não sente?


Implícito, agora explícito.

Demorei um tempo pensando no que eu iria escrever para postar o meu primeiro texto nesse meu outro blog. Pensei em vários gêneros textuais. Perguntei-me: “ Será que eu falo de coisas piegas e avassaladoras; sobre o amor de uma forma bem puritana com direito a flores, tipo aqueles estilos que nós observamos em um romance romântico e gentil ou se deixo a pimenta rolar e arder, fluir cruamente(sem vulgaridade, claro) falando sobre o que eu penso do sexo, ou melhor, posto textos ou pensamentos que há muito tempo eu escondo; ou abusando de um belo humor seco e sarcástico?”.Como sempre abusando da minha característica incontestavelmente seletiva, fiquei enlouquecendo durante alguns minutos com relação a minha maldita greve de pensamentos e escolhas, o que muitas não faziam sentido…e adianto, acho isso um saco. Depois de todos esses pensamentos eu me deparei com um pensamento muito interessante e engraçado, eu penso.
Notei que as coisas, se a gente respeitar como e o que elas são, flui naturalmente de uma forma unânime e mais verdadeira. Não se trata daquela coisa mecânica, postar textos ou mensagens o tempo todo, apenas para não perder leitores ou seguidores. Eu não me importo muito com isso, na verdade isso importa. (droga! Odeio me contrariar). Bom, você entendeu querido marinheiro (a). Talvez isso não incomode mais que elefantes. Eu percebi que eu tinha que dar tempo ao tempo. Ao fazer isso, resquícios de palavras começaram a preencher meu editor de textos. Primeiro: não soube qual seria o nome do texto o qual estava nascendo em mim. Conversando comigo mesma, falei: “Saia meu querido. Devagar, mas saia.”. E enquanto a palavras saíam, eu dizia: “Sai dessa morada seu impostor!”. Daí eu comecei a explorar a liberdade de escrever.
Sabem, os pensamentos pararam por alguns minutos e todas as minhas idéias e pensamentos começaram a desaparecer naquele papel claro e  e   x    t   e   n   s   o. Indaguei-me quantos as idéias escondidas, quanto a minha criatividade. E a surpresa é que tudo veio de uma vez só. E eu não mais estava lutando para que as opiniões e pensamentos surgissem, mas em comprimir o que eu escrevia.
Cortei reflexões, fatos pessoais nada convenientes ou coesos, citações bastante famosas, pensamentos e frases que não eram meus. Pensei em comentar sobre a liberdade dos escritores e autores, de como estes (eu penso com certeza) são limitados, censurados a falar sobre suas opiniões e certas verdades do mundo. Bem, não falo mais, pois eu mesma disse que eu cortei esse comentário desse texto. Além de o texto sair natural e vagarosamente, depois sagrar como um rio, eu tentei pensar em um título bom ou o mais plausível possível. Agarrei-me a clichês, mas vi que nenhum deles se encaixava com o texto, e, aliás, detestei-os. Decidi por último e o título  surgiu do jeito que eu imaginara:  meu texto estava “Implícito, agora explícito”.